Aydano André Motta
A capital do samba e do Carnaval recebeu de volta os ícones da moda e brilhou intensamente com sua arte maior. Os bambas marcaram presença em dois momentos memoráveis da Rio Fashion Week, realizada durante quatro dias de abril no Pier Mauá e na Praça da Apoteose. A exposição “A alta costura no Carnaval”, de Henrique Filho, no armazém 4 do porto carioca, e o desfile da Misci, no Sambódromo, foram os grandes momentos do evento.
O mais importante evento do calendário da moda na cidade ficou dez anos sem acontecer. Na volta, aproximou-se do grande evento carioca – e em grande estilo. “A Alta Costura do Carnaval” ocupou 750 m² do espaço Hub DW, encantando quem foi até lá com deslumbrantes elementos alegóricos de Oxum e Iemanjá, que, criadas pelos artistas João Vitor Araújo (Beija-Flor) e Tarcisio Zanon (Viradouro), passaram na Sapucaí em 2026.
Entre figurinos e adereços de cabeça, usados por nomes como Sabrina Sato, Xuxa, Anitta, Giovanna Lancellotti, Adriane Galisteu e Erika Januza, a exposição reuniu 50 peças, além de 17 criações mostradas em fotografias no formato de 5 x 6 metros, assinadas por Priscila Prade. Todas criações renomado estilista Henrique Filho. O projeto foi idealizado por Milton Cunha, com curadoria do arquiteto e multiartista Gringo Cardia.
Muita gente se interessou por desvendar a dinâmica de produção da arte das escolas de samba – e se admirou ao descobrir que vem muito mais de onde saíram aquelas belezas. A exposição ainda tinha uma ilha com costureiros, que produziam pequenos adereços para o público. Uma mostra da capacidade criativa que floresce nos barracões.
“Para mim é uma honra, depois de tantos anos construindo o meu nome e mostrando o meu trabalho. Eu não teria condição financeira de fazer isso nunca. Está sendo um presente depois de uma certa idade. Foi um presentão que Deus me deu”, festejou o estilista à Agência Brasil. Com meio século de trajetória na folia, ele prega que os trajes e fantasias das rainhas de baterias e das musas são, sim, alta-costura. “A justiça está sendo feita”, exaltou.
“As pessoas enxergam o desfile das escolas como evento, mas, na verdade, a maior Escola de Belas Artes do Brasil é o Carnaval do Rio de Janeiro”, atestou Gringo Cardia, também à Agência Brasil. “O Henrique é um estilista de alta-costura dentro da festa, que estudou arquitetura na Escola de Belas Artes do Rio”.
E a moda foi celebrar os sambistas no lugar deles. Na estrelada noite da sexta-feira (17) a grife Misci, do estilista Aires Martin, apresentou suas crianções no desfile “Escapismo tropical”, investigação da cultura nacional muito além dos seus estereótipos. A coleção Verão 2027 encantou a plateia, formada por celebridades e alguns “donos” da Sapucaí, como os lendários Neguinho da Beija-Flor e Pinah, a intérprete Jessica Martin (Beija-Flor), as rainhas de bateria Evelyn Bastos (Mangueira) e Mayara Lima (Paraíso do Tuiuti) e a carnavalesca Annik Salmon.
Emoldurando modelos e criações, 80 ritmistas da bateria Soberana, da Beija-Flor, sustentaram o ritmo da batucada durante o desfile, para garantir o ambiente perfeito. O último setor da Sapucaí e a Praça da Apoteose ganharam piso de carpete azul claro, garantia de segurança para o passo cheio de estilo dos modelos.
E o Carnaval brilhou intensamente, assumindo lugar de protagonista na folia da moda no Rio. Dez, nota dez!










