MODA CARIOCA DE VOLTA ÀS RAÍZES

Foram aproximadamente 10 anos sem uma semana de moda carioca

Heloisa Marra
Fotos de Marllon Silva de Souza

Espelho, espelho meu, existe cenário de moda mais belo do que o Rio de Janeiro? A resposta está nos cinco dias da edição do Rio Fashion Week, que ocupou a cidade em espaços icônicos. O Palácio da cidade, no desfile da Osklen, a praça da Apoteose, na apresentação da Misci, do estilista Airon Martin, o Museu do Amanhã, para comemorar os 35 anos de Lenny Niemeyer, e os armazéns do Píer Mauá, onde entraram em cena 17 desfiles.

Foram aproximadamente 10 anos sem uma semana de moda carioca, jejum quebrado com a realização do Rio Fashion Week pela IMM esporte e entretenimento, empresa organizadora da São Paulo Fashion Week e do Rio Open.

Segundo Gustavo Oliveira, diretor da IMM, o Rio Fashion Week veio para ficar. “Nos últimos anos o Rio de Janeiro virou uma referência de grandes eventos como Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, Rio Open. Acertamos na veia, no momento certo, na hora certa. Nós, cariocas sabemos que exportamos lifestyle para o mundo. A gente precisava de uma semana de moda. Sempre fizemos a São Paulo Fashion Week em duas edições ao ano. E agora o calendário brasileiro da moda é no primeiro semestre, Rio Fashion Week, e no segundo, São Paulo Fashion Week”, afirma Gustavo, contando que o evento gerou mais de 7 mil empregos diretos e indiretos e mais de R$ 100 milhões em negócios.

Quem estava com saudade da passarela-espetáculo do antigo Fashion Rio, onde marcas como Salinas e Blue Man faziam do desfile um acontecimento com direito a escola de samba, performance e shows musicais, teve um gostinho emocionante dos velhos tempos, com a linguagem contemporânea de uma nova geração de talentos.

Lifestytle carioca inspira a moda e vira desejo

Nesses novos tempos, por exemplo, pela primeira vez, na história da moda carioca, uma marca desfilou no Sambódromo, a Misci. Seu criador, o mato-grossense Airon Martin, é considerado uma das maiores apostas da moda brasileira. E adivinhem onde Airon escolheu abrir uma loja esse ano? No Rio de Janeiro, em Ipanema.

Como o lifestytle carioca inspira a moda e vira desejo global? Quem responde é Oskar Metsavaht, que na coleção da Osklen falou dos personagens que vê no calçadão de Ipanema e do Leblon. Para ele, hoje no Rio de Janeiro você encontra o zeitgeist, expressão alemã que significa espírito do tempo.

“Se olharmos o calçadão de Ipanema, Leblon, observamos a harmonia de uma diversidade interessante, que já existia, formada por nós, cariocas de todas as classes sócio-culturais e econômicas. Hoje em dia essa diversidade se tornou cosmopolita”, diz Oskar. “Você tem uma riqueza de culturas de jovens e famílias do mundo inteiro vindo visitar e tendo a mesma experiência que nós temos, no espaço entre o urbano e a praia. E esse nosso modo de ser – somos bonitos, alegres, sexies e felizes – é um dos grandes luxos do mundo. Conviver com a natureza em meio a uma grande cidade é outro luxo. Na coleção eu mostrei alguns personagens da cidade do Rio de Janeiro. Tentei fazer isso com uma linguagem sofisticada que a moda permite. Um imaginário que celebra o quanto nossa sofisticação pela simplicidade se tornou desejo do mundo inteiro. É como a bossa nova. Tem a essência do Brasil soul no espírito mas também uma linguagem estética universal. Bossa Nova, Niemeyer… Tenho a impressão de que faço a mesma coisa. Os nossos compositores da bossa nova expressaram esse espírito carioca de uma forma sofisticada que universalizou. E eu tento fazer, não com música, mas com os códigos estéticos e éticos da nossa cidade”.

A Top Carol Trentini abriu o desfile

Há oito anos sem desfilar, a participação da Osklen na Rio Fashion Week reforça uma filosofia de anos, que começava a se apagar desde que a marca foi adquirida pela Alpargatas em 2012 e comprada em 2022 pela Dass Nordeste Calçados. Em 2025 Oskar Metsavaht recomprou o controle da empresa. Defensor de um novo luxo sustentável, apoiado na biodiversidade brasileira, pesquisador de novos materiais através do Instituto E, ele apresentou uma coleção feita de fibras naturais como linho, seda, algodão, ráfia e juta em contraste com fibras sintéticas como tules, neoprene e metalizados.

A Top Carol Trentini abriu o desfile num conjunto branco de calça e camisa. Em seguida surgiram fluidos vestidos e anatômicos long johns em silhuetas, que misturaram streetwear e alfaiataria. Lindas as small bags trabalhadas com flores artesanais, macramê e cristais. O couro de pirarucu, um ‘case’ de material sustentável da Osklen em parceria com o curtume Nova Kaeru, esteve presente moldando saias, tops e bolsas.

Oskar foi pioneiro em usar o couro de pirarucu, antes descartado, como pele exótica e elemento chave do seu novo luxo. No final, o designer foi homenageado pelo prefeito Eduardo Cavaliere com o prêmio Legacy Award, troféu também dado a Lenny Niemeyer na celebração de 35 anos da marca no Museu do Amanhã.

Toda a vez que vai fazer um desfile Lenny Niemeyer sofre. E muito. Ela contou que esse, realizado no Museu do Amanhã, foi o mais difícil. “Meu stylist (Daniel Ueda), que acompanha meu trabalho desde o início, chorou”, lembrou, emocionada, no final da apresentação.

Envolvido pela iluminação de Paulo Denizot, com uma enorme esfera, ora sol ora lua, pairando sobre a passarela, o público assistiu a uma retrospectiva primorosa. Um passeio por looks emblemáticos, que surgiram de viagens a Indonésia, África ou Japão.

Na seleção não faltaram modelos recentes, desenvolvidos em fibra de buriti em parceria com as artesãs de Barreirinhas, no Maranhão. Pela primeira vez, Bel Niemeyer, filha de Lenny, assinou a direção criativa com a mãe. Entre as tops desfilaram Isabeli Fontana, Raica Oliveira, Gianne Albertoni, Barbara Fialho e Fernanda Tavares.

Muito além da moda praia, Lenny Niemeyer criou um estilo desejado dentro e fora do Brasil. Ela reinventou o beachwear carioca, que hoje é exportado para o mundo. Generosa, acolhe novos talentos como Airon Martin, da Misci, com quem tem colaborado constantemente, inclusive no último desfile da marca no Sambódromo.

Ao contrário do que muitos possam pensar, a coleção criada por Airon Martin para a Misci não tem nada a ver com fuga. O estilista usou a festa como um reposicionamento, uma estratégia para continuar. A inspiração veio do imaginário do Rio dos anos 1970, do Píer de Ipanema e das Dunas do Barato, onde a praia se tornou um espaço liberador durante a ditadura militar. As musas: Gal Costa e Maria Bethânia, referências de cores, atitude e beleza.

Muitos artesãos e artistas trabalharam para construir a coleção. Entre eles, os carnavalescos Bruno Oliveira e Annik Salmon, que fizeram uma blusa com pingentes multicoloridos. Airon fez parceria  com o Instituto do Bordado Filé de Alagoas e o grupo Redeiras, que transforma redes de pesca descartadas em tecidos e acessórios.

A pesquisa têxtil incluiu ainda couro vegano feito de capim, macramê em seda e jeans reconstruído por upcycling. Algumas peças contaram com a intervenção da bordadeira Wendy Cao com técnicas de alta costura. Na trilha sonora, 80 ritmistas da Beija-Flor de Nilópolis tocaram ao vivo.

Carnaval também combina com moda. Imaginem o encontro de plumas com um paletó. Com essa mistura original, Lucas Leão refletiu sobre o tempo e a rapidez com que descartamos roupas nos dias de hoje. O estilista viajou ao Rio de Janeiro dos anos 1920 para encontrar os antigos alfaiates cariocas numa época em que a profissão era importante. Trench coats, blazers, calças soltas com caimento impecável desfilaram pontuadas pela leveza das plumas.

Lucas é neto de um alfaiate e de uma costureira de vestidos de noiva. A modelagem anos 1920 está presente nas ombreiras e blazers de abotoamento duplo. Ele moderniza técnicas tradicionais usando corte a laser e impressão 3D para criar texturas.

Flor do Mulungú, coleção de Luiz Claudio Silva para a APTO 03, fala do encontro improvável de três mulheres: Clarice Lispector, sua personagem Macabéa e Conceição Evaristo, que em “Macabéa, flor de Mulungu”, reescreve a história de Macabéa.

Bordados para serem vistos de perto, transparências sutis, tecidos plissados e ensolarados, preto e branco no slip dress com rendas. Luiz Claudio conta aqui como recria sua Macabéa. “Eu queria uma riqueza. Quando se lê o livro, vemos várias camadas, várias mulheres. Mais do que tudo isso, a ideia é festejar mesmo que esteja sozinha. Fiz uma camisola para o momento em que ela está sozinha no quarto e se enxerga como noiva. Tem um momento em que ela compra batom e não sabe bem se maquiar. Essa coleção é sobre comemorar”, conta Luiz Claudio, responsável por uma das marcas mineiras mais importantes e autorais do Brasil.

No segundo dia do evento, quem caminhava pelo Píer, podia ouvir a potente voz de Pedro Olivero, solista da Companhia de Ópera da Lapa, no ensaio da Handred, de André Namitala. “Nosso inverno nasceu da investigação dos Registros Akáshicos, uma espécie de biblioteca cósmica, conceito que nasceu na filosofia esotérica e teosofia no século XIX. Um campo de conexão visual, pessoal e íntima que sobrepõe e equilibra memórias, experiências e pensamentos de todos os momentos vividos. Tudo isso retorna como linguagem visual na coleção”, explicou.

Na passarela tecidos nobres como tafetá, xantungue e veludo combinados com couro e algodão. Cores profundas e estampas construíram silhuetas em sobreposições e volumes. Um desfile contemporâneo em sintonia com uma visão bem atual do que acontece na moda.

As musas de Helô Rocha desfilaram ao som da cantora e compositora Ster do Violino. “A coleção se inspira em figuras femininas mitológicas, mulheres, deusas, fadas, sereias, mulheres extraordinárias, mulheres imaginárias e reais”, contou a estilista. “Outro fio condutor foi o tempo que a gente leva para fazer as roupas, que são muito elaboradas. Usamos toalhas antigas de mesa de 1800. Transmitimos essa passagem do tempo envelhecendo as peças novas com técnicas de cinema. Até mesmo os acessórios foram garimpados em antiquários e montados”.

Foi uma apresentação leve e luxuosa, feita de vestidos diáfanos, transparências e bordados delicados, resultado da parceria com as artesãs de Timbaúba dos Batistas, do Rio Grande do Norte. Cada coleção nasce dessa interação entre a visão de Helô Rocha e a habilidade das artesãs para interpretar os desenhos com fios, agulhas e muitas semanas de trabalho.

Há desfiles que vestem. E há desfiles que contam. O Rio de Janeiro dos anos históricos surge como eixo narrativo. As referências à Igreja da Penha e aos traços paisagísticos de Roberto Burle Marx construíram um imaginário carioca sobre o couro. A cartela de cores dialoga com essa escuta apurada da cidade: o verde e o rosa, extraídos diretamente das cores da Estação Primeira de Mangueira, aparecem em afetivos bordados.

É justamente no bordado que a coleção se destaca. Em parceria com a label mineira Vivaz, algumas peças levaram mais de 300 horas de execução manual — um gesto quase anacrônico num mercado obcecado pela velocidade.

Pinturas sobre couro assinadas pelas artistas Klaucia Badaró e Giovanna Vieira retrataram paisagens cariocas com leveza e precisão, enquanto Natalia e John Reys, do coletivo Cosmonauta, traduziram o calçadão de Copacabana em mosaicos urbanos integrados ao projeto Zero Waste da marca. O couro — assinatura histórica de Patricia Viera — surgiu enriquecido com bordados minuciosos, trabalhos em laser e intervenções manuais.

A surpresa da temporada veio em forma de biquíni. Os modelos cortininha de crochê, feitos a partir de retalhos de couro, desfilaram com naturalidade tão integrada ao conjunto que pareciam pertencer ao DNA da marca há anos.

Dez anos fora das passarelas é tempo suficiente para cair no esquecimento. A grife fundada por David Azulay em 1972 — o mesmo que, por um erro de costura numa prova de calcinha de jeans, inventou sem querer o biquíni de lacinho que conquistaria praias no mundo inteiro — voltou à passarela. Sem nostalgia, retornou com “Rota 72”: uma viagem afetiva pelos quase 11 mil quilômetros de costa brasileira, do Atlântico amazônico até as pedras de Ipanema. Uma declaração de identidade em forma de desfile.

Jeans nos primeiros looks — os mesmos tecidos rígidos que David usava nos anos 1970, quando a moda de praia ainda não existia como conceito de mercado. Depois, o arquivo completo: biquínis de amarração, cortininha e fio dental, maiôs de fenda asa-delta, macramê, strass, franjas e pedrarias. Poderia ser um exercício de saudosismo. No corpo certo, com o olhar certo, virou celebração.

E foi o casting que transformou o desfile em acontecimento. Por isso, em vez de uma passarela convencional, Sharon e Thomaz Azulay apresentaram um retrato do Rio: Helô Pinheiro, a Garota de Ipanema, abrindo o desfile aos 82 anos e sendo ovacionada de pé, seguida do vendedor de mate, da tia do camarão, da musa carnavalesca com saltão…

Deborah Secco entrou de sobreposição de microbiquíni e salto alto. Pocah e Jonathan Azevedo completaram o painel. Para fechar, Helô voltou à passarela com uma capa da bandeira do Brasil e dançou com a bateria da Viradouro ao lado da neta. A plateia foi ao delírio.

Ao observar como uma folha de dracena vai do vinho ao rosa passando pelo vermelho num verdadeiro desfile de cores, compreendi a sensibilidade cromática de Isabela Capeto. Isabela reproduziu fielmente na coleção essa incrível metamorfose de tons.

Após nove anos fora do calendário oficial, a estilista voltou à passarela na companhia criativa da filha Chica, o que tornou o desfile mais interessante ainda.

Isabela sempre foi maximalista por convicção, não por tendência. Ao longo de mais de três décadas de carreira, construiu uma linguagem reconhecível: o bordado como arquitetura, a cor como argumento, o romantismo como posição política. Chica, por sua vez, traz outra formação de olhar — mais urbana, mais irreverente, menos apegada às fronteiras entre o formal e o casual. A coleção “Dracena” é o que acontece quando essas duas perspectivas param de negociar e começam, de fato, a conversar.

A dracena — flor favorita de Isabela — empresta à coleção mais do que um nome. Suas linhas alongadas e sua silhueta gráfica atravessam as peças em composições que cruzam natureza e geometria, nos volumes que crescem a partir do corpo como ramos, na paleta que vai do fúcsia ao vermelho e ao amarelo. É uma coleção que respira, que tem cheiro, que ocupa o espaço da passarela com a mesma convicção de uma planta que sabe exatamente onde quer crescer.

Mas o jardim de Isabela, nesta temporada, tem uma ala nova. Nos looks assinados pela mão de Chica, a gramática muda de registro: camisas com gravatas duplas, microssaias plissadas sobrepostas, xadrezes, a calcinha usada à mostra com robe longo — peças que falam a língua da geração que cresceu misturando streetwear e alta-costura sem sentir contradição nenhuma nisso. Longe de criar uma ruptura, esses elementos funcionam como oxigênio dentro da coleção, evitando que o romantismo característico da marca se feche sobre si mesmo.

A cantora Pocah na passarela da Blue Man

“No Rio de Janeiro, ir à praia não é uma ocasião especial”, disse Sharon. E é exatamente essa naturalidade que a Blue Man soube transformar em produto, em marca e referência”.

Na linha da moda comportamento não tem nada mais influente na moda do que a cultura Ballroom. Ela nasceu no Harlem, entre travestis negras e latinas que precisaram inventar seus próprios espaços de existência quando o mundo não quis abrir as portas. Mas toda grande cultura migra, se transforma e encontra novos corpos para habitar. No Rio Fashion Week, a Dendezeiro mostrou como esse movimento pulsa com sotaque baiano.

“House of Dendezeiro” chegou com a força de quem está num momento de maturidade criativa. Hisan Silva e Pedro Batalha  trabalharam com a curadoria de Lunna Montty, voz importante na cena ballroom de Salvador. O desfile propôs uma leitura brasileira de um universo que há décadas encontra em solo nacional corpos que o habitam com naturalidade.

Na passarela, o couro dividiu espaço com o látex — novidade da temporada — em jaquetas de ombros marcados, calças de cintura baixa com amarrações e casacos em silhueta de ampulheta, desenvolvidos com a DOD Alfaiataria. T-shirts com o brasão da House funcionaram como emblemas da tribo. A cartela foi dominada pelo preto, com incursões em bordô, vermelho e azul. Estampas com figuras humanas negras em movimento completaram o vocabulário.

O casting foi à altura. Alton Mason fechou o desfile em grande estilo, com intervenções do artista Saturno no look. Títi, filha de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, estreou nas passarelas aos 12 anos com presença que surpreendeu. “Ela é o futuro, é linda. A gente fica honrado”, disseram os estilistas. Na plateia, os pais assistiram emocionados.

Havia uma provocação implícita na presença da Adidas no Rio Fashion Week. Num line-up inteiramente composto por marcas brasileiras, a gigante alemã era a única estrangeira — e precisava provar que tinha algo genuíno a dizer sobre identidade nacional. A resposta veio de onde menos se esperaria de uma multinacional: das periferias do Brasil.

Entregar a direção criativa a Rafaela Pinah, fundadora do Coolhunter Favela, foi o movimento mais certeiro que a marca poderia ter feito. Pinah não é consultora de diversidade em projeto alheio — é pesquisadora que há anos documenta e dá nome ao que a moda mainstream consome sem citar a fonte: o estilo periférico, o corre diário, a estética construída fora dos centros tradicionais de poder.

Na passarela do Píer Mauá, a noite de 17 de abril começou com Tasha e Tracie cantando ao vivo enquanto desfilavam com microfone nas mãos — show e passarela numa coisa só. A narrativa partiu do futebol como fenômeno cultural: as camisas da Copa do Mundo FIFA 2026 subiram à passarela não como uniformes, mas como peças de moda. No centro de tudo, o Megaride — tênis nascido nos anos 2000, ressuscitado com novo olhar e tratado como símbolo de uma estética que vive nas ruas muito antes de chegar às vitrines.

“Todo o desfile foi pensado para unir a história de moda da Adidas à cultura das ruas do Brasil, do cabelo aos elementos visuais”, disse Pinah.