ALTO ASTRAL – POR BRUNO AGOSTINI

Toast no pão com sourdough, abacate e tartar de salmão

GUIMAS BRUNCH & BAR COM NOVIDADES

A simpática casa das irmãs Mascarenhas, também na Gávea, acaba de renovar o menu, menos de um ano depois de abrir as portas, na rua Marquês de São Vicente, fazendo enorme sucesso. Outra novidade é o menu executivo, servido de terça a sexta, das 11h30 às 16h. Entre as novas toasts com pão sourdough, agora tem cogumelo com ovo pochê e creme de ervas; hummus de beterraba com abacate e gorgonzola; e abacate com tartare de salmão. O menu ganhou reforça na ala dos pratos principais mais substanciosos também, com mignon com arroz cremoso de gorgonzola e farofa de bacon; frango ao curry com arroz branco e salada verde (R$52); e moqueca de peixe branco com arroz de sementes e farofa panko.

MISTRAL ABRE LOJA EM IPANEMA

Ipanema acaba de ganhar uma loja de vinhos de uma importadora que tem um dos portfólios mais variados do Brasil – provavelmente com a maior seleção de rótulos e de produtores no país. A Mistral se instalou em ponto nobre, no coração da gastronomia do bairro, na esquina da Barão da Torre com a Garcia d’Ávila. Por enquanto, não há vinhos em taça, mas duas mesinhas na aprazível varanda podem servir para os clientes degustarem vinhos, que ali são comprados a preço de prateleira.

BELMONTE NO EDIFÍCIO TOURING

O Belmonte nasceu em 1952, na Praia do Flamengo, quando ainda se tinha vista para o mar da Baía da Guanabara. Nos anos 1960, porém, com o Aterro do Flamengo, as águas se afastaram bastante do bar. Só em 2021 voltou a ter vista para o Atlântica, quando abriu as portas a unidade que se tornou a mais importante da rede, na Vieira Souto, em Ipanema, na esquina com a Farme de Amoedo. Agora, em 2025, o Belmonte volta a estar pertinho da Guanabara, com a inauguração de um dos espaços mais aguardados do verão carioca, e porque não dizer, da década? É o Edifício Touring, na Praça Mauá, que reabriu as portas no fim de janeiro, agora como polo gastronômico que já nasce como ponto turístico relevante por alguns motivos. Primeiro, o prédio em si, de 1928, projeto do arquiteto Joseph Gire um lindo exemplar do Art-Déco, cuidadosamente reformado. Depois, são quatro diferentes operações dispostas no espaço, ampliando o leque de opções.

Em terceiro lugar, mas não menos importante, é preciso falar da vista que se tem da Baía de Guanabara de diversos pontos do complexo, dividido em três andares, com vários espaços diferentes.

Além do Belmonte, com seus chopes, salgados que circulam pelos salões em bandejas e um menu vasto, de petiscos e refeições, ocupa a área central, com o seu devido destaque. Também no térreo está o japonês Azumi, marca que foi comprada por Antônio Rodrigues, que ganha assim a sua primeira filial. O mesmo aconteceu com o italiano Il Piccolo, nascido em Ipanema (vizinho ao Belmonte), que agora chegou ainda mais perto do mar, praticamente debruçado sobre as águas da Guanabara. Nos três casos, os menus são basicamente os mesmo das outras unidades. Ao contrário do Acervo Gastrobar, conceito inédito desenvolvido pelo empresário, um bar moderno, com foco em drinques e programação cultural intensa, com música ao vivo e DJs, com ingresso cobrado (de R$ 12 a R$ 20). O menu tem coisas interessantes e originais, como o sanduíche de moela à moda japonesa, empanada e servida no brioche, com o tradicional molho tonkatsu, coleslaw de couve à mineira e maionese de nduja (embutido picante típico da Calábria e que anda em alta em todo o mundo com chefs de cozinha). E que tal uma quiabada? Trata-se de um babaganuj de quiabo, com quiabo tostado, tomates assados com alho frito e pimenta. São muitos os motivos para ir, e voltar, ao renovado Edifício Touring. O Rio merece. E agradece.

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BAR XAVIER REABRE NA TIJUCA

Outra novidade imperdível tem tamanho inversamente proporcional. Se o Touring tem cerca de 9 mil metros quadrados em três andares, o Bar Xavier é miudinho, como sempre foi, desde 1967, quando foi inaugurado. Há um balcão, e algumas mesinhas na calçada. Mas, o balcão é poderoso, servindo alguns dos melhores petiscos de estufa e de vitrine refrigerada da cidade, pode acreditar. Resumindo a história, o chef Cezar Cavalieri, que brilhou nos últimos três anos na cozinha do Botica, em Botafogo, assumiu o botequim que seu pai comprou – um desses clássicos casos do cliente assíduo que pega o bar que estava para fechar. Fato é que depois de uma grande reforma, que trocou completamente os equipamentos, mas preservou a muito simpática identidade visual do bar, a cozinha está fazendo um trabalho impecável. O croquete, marca registrada da casa, está lá no pequeno menu, o que facilita a escolha, porque dá vontade de provar tudo aquilo que está listado na lousa, e que nos é apresentado gentilmente. Os picles feitos por eles são sensacionais. Se tiver terrine peça. Escabeche de jiló? Também. O mesmo vale para as empadinhas. A salada de camarão com batata e ovo cozido, com o frescor do dill, está espetacular. As carnes cozidas lentamente variam sempre. Pode ter copa-lombo, carne assada propriamente, e por aí vai. Polvo pode virar vinagrete, com feijão, ou sacanagem, com batata, cebola e azeitona. E o chope sai impecável, na caldereta. Sem esquecer que o local, a praça Xavier de Brito, é das mais agradáveis e bucólicas da cidade. O bar Xavier entrega isso tudo, e mais um pouco. Imperdível, como já dito.

As vieiras ao beurre blanc

SIGNATURES COM NOVO MENU

Também está espetacular o novo menu do Signatures, o primeiro restaurante do Le Cordon Bleu na América Latina. O cardápio para a temporada de 2026 é assinado pelo corpo acadêmico da escola, time liderado pelos experientes head-chefs Yann Kamps e Philippe Brye, junto com o chef marroquino Mbark Guerfi que cuida da cozinha no dia-a-dia. Tudo começa  com o oeuf fermier, o tal ovo perfeito, cozido a baixa temperatura e com gema pornograficamente mole, acompanhado de cogumelos de Paris trufados e espuma de porcini. Outro destaque são as vieiras ao beurre blanc, molho clássico francês, muito bem executado, com funcho cozido lentamente ao vinho e caju fermentado. Para as entradas também há uma cuidadosa Seleção de charcutaria e queijos artesanais, servida com picles de legumes, castanhas e geleia. Nos pratos principais, tem cherne assado na manteiga de ervas, servido com mousseline de couve-flor e castanha, crumble de amêndoas com brócolis, molho champagne e azeite de dill; pato confit ao molho de vinho, acompanhado por batata boulangére, pontas de aspargos e compota de cebola; e duo de cordeiro, com carré em crosta de ervas e guioza, servido com mini legumes da horta e jus de alecrim. Há opções vegetarianas, como o tempeh marinado na glacê vegetal, com mousseline defumada de baroa e jus concentrado de cogumelos; e ravióli de abóbora e queijo de cabra, finalizado com molho de queijos artesanais e lâminas de amêndoas.

CHICHARRÓN E KATA: MARCO ESPINOZA EM DOSE DUPLA

O chef peruano Marco Espinoza está por trás de duas novidades que abriram as portas quase que simultaneamente em janeiro. Mas, nos dois casos, quem cuida das casas são a sua filha, Catalina, e o chef Raul Pareja. Em Botafogo, o Kata é um japonês que já chegou causando ao Humaitá, com sua decoração colorida, com grafites, neons e muitas referências à cultura pop oriental, do Japão e da Coreia do Sul. O menu é à la carte, no almoço, com menu executivo atraente. No jantar, tem rodízio (mas também é possível pedir os pratos do cardápio regular). No balcão, uma série de itens importados da Ásia chamam a atenção dos clientes, especialmente das crianças e adolescentes. Já o Chicharrón é uma casa de sanduíches, inspirada nas lanchonetes que existem em Lima, notadamente La Lucha, um clássico da capital peruana. O carro chefe é o sanduíche que leva o nome da casa, uma barriga de porco com pele crocante, servido no ótimo pão feito por eles, com batata-doce, cebola roxa e o molho da casa. São seis opções, e também há quatro pratos típicos (não poderia faltar um ceviche, né?). Nos dois casos, as filas na porta acontecem diariamente: caíram no gosto de cariocas e turistas.

Taco de porco

TACOS E PASTÉIS NO TIJOLADO

O chef Pedro Carvalho trabalhou com Thomas Troisgros no Olympe. Depois de chamar a atenção com ótimos tacos num pequeno espaço na Barra, Dos Perros (infelizmente, fechou) ele foi convocado pelo chef para inaugurar o Tijolada, um botequim que revitalizou a região do Bar 20, em Ipanema. No fim do ano passado, ele abriu o Tijolado, uma portinha logo ao lado, com foco em drinques, e com menu que tem três itens, com diferentes opções: sanduíches (7), tacos (4) e pastéis (10). Fui lá conferir os tacos, que estão muito bons, e matam as saudades do Dos Perros. Mas, cumpre dizer que é um legado do Pedro: ele deixou a casa. Mas, os tacos estão lá, entre outras boas pedidas como o sanduíche de milanesa com queijo e o pastel de moela com jiló e molho de tomate (também tem siri, coração de galinha e até de carne assada com batata e agrião; e de carne-seca com tutu e abóbora!!!). Por essas, você não esperava…

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