Luisa Prochnik
Fotos de Sebastián Taborda
O Centro do Rio de Janeiro está “hypado”! “Hypado” é um neologismo derivado da palavra hipérbole, escrita em inglês (“hyperbole”). No dicionário informal das ruas: algo “hypado” é o que está super popular ou na moda. Se você é do grupo que abomina termos em inglês, não desista da reportagem: ela ainda há de mostrar ao que veio. De volta ao “hypado”, ou melhor, ao centro da cidade: samba, muito, muito samba, jazz, museus, praças, feiras, shows, passeatas e atividade política, patrimônio material e imaterial, casas tombadas, bares, botecos, restaurantes — a lista não para. Reviver, revitalizar, renascer, deslocar, gentrificar… Movimento. O centro da cidade está no… centro dessa cidade, de investimentos urbanísticos a equipamentos culturais e artísticos, ao fim – ou ao menos à redução – do trabalho em casa — voltem, gravatas e sapatos de bico fino! Tudo aponta para o centro da cidade e sobra seta para todos os lados. Com toda essa sensação de território agitado, dinâmico e animado, surge uma pergunta: quantos centros o Centro do Rio tem?
A tentativa de resposta exige recuar no tempo e entender que a própria palavra “centro” é uma fronteira em permanente mutação. Para a arquiteta e urbanista Pilar Tejero Baeza, professora da EAU-UFF e moradora do Castelo, a palavra funciona quase como um “sinônimo de limite”, uma delimitação que se modifica drasticamente de acordo com a visão de mundo e a posição social de quem a enuncia. Em suas pesquisas sobre a introdução do termo no vocabulário urbanístico carioca, Pilar ressalta que a palavra passou por rápidas transformações de sentido.
Esses deslocamentos físicos ganham contornos históricos na obra “Espaço & Poder: Os Três Centros do Rio de Janeiro”, da arquiteta Rachel Esther Figner Sisson. Em vez de uma divisão administrativa estática, Rachel identificou que a ideia de centralidade moveu-se geograficamente pelo território para validar os diferentes ciclos de governança do país.
O primeiro Centro fixou-se na Praça XV. No período Colonial e do Reino Unido, o poder estabelecido representava a Coroa portuguesa, e estabeleceu-se perto do mar, via direta de contato com Lisboa e com as rotas do Atlântico. Ali reúnem-se os símbolos máximos do poder político, religioso e militar, com o Paço Imperial e a antiga Catedral da Sé.
Com a consolidação do Império, o centro desloca-se para o Campo de Santana. A vasta esplanada, que se estendia até a atual Central do Brasil – a avenida Presidente Vargas não existia- transformou-se no palco das grandes solenidades políticas e da afirmação do Estado monárquico — abrigando o Senado da Câmara, o Supremo Tribunal e o cenário da aclamação da República por D. Pedro I.
Já na República, a abertura da Avenida Central (hoje Rio Branco) empurrou o coração cívico para a Praça Floriano, a Cinelândia. A construção do Theatro Municipal, da Biblioteca Nacional, do Museu Nacional de Belas Artes e do Palácio Monroe materializou e consagrou o local como o polo cosmopolita e o grande palco democrático de manifestações populares
– Encontros, passeatas, reclamações políticas e concentrações de carnaval, entre outros, que acontecem no dia a dia. Lembro que após a notícia do assassinato da vereadora Marielle, os primeiros protestos aconteceram na praça, como um ato cotidiano de protesto frente a brutal atentado. (…) É o palco desse movimento cultural que reúne política, arte e educação, que nos lembra de um direito de viver em cidade, uma memória viva que reage, se junta e se reúne num cruzamento de um espaço público rodeado de edificações-testemunhas – traz ao debate Pilar Tejero, destacando a Cinelândia como esse “centro cívico e democrático por excelência”.
Hoje, o deslocamento ganhou velocidade. Como pondera a jornalista Mariana Sgarioni, a diversidade de usos é o que desenha a dinâmica atual:
– Pensaria em um Centro histórico, um cultural, um comercial, um financeiro, um boêmio, um institucional e um ligado à vida noturna. A presença de patrimônio, o intenso comércio, empresas e a vida noturna criam diferentes dinâmicas dentro de uma mesma região.
Para a urbanista Pilar Tejero, tentativas de enquadramento rígido acabam sendo superadas:
– O Rio tem tantos centros quanto o centro tem. O tempo social vai construir e desconstruir tantos centros quantas visões de futuro a sua sociedade queira ter. Minha percepção explodiria a visão geométrica de delimitação entre centro e periferia, transformando-os em um grande território efervescente de burburinhos coloridos entre o relevo do mar de morros e a Baía de Guanabara.
É com todo o respeito a essa bagagem histórica, cultural e acadêmica — e sem pretensão alguma de fechar uma tese ou esgotar o assunto —, que fica aqui o convite para um exercício leve, de quase-botequim: uma proposta de divisão em sete microcentros contemporâneos. Não como um mapa definitivo, mas como um pretexto para conversar, trocar ideias e, acima de tudo, celebrar essa região incrível da cidade. Afinal, por mais múltiplo e plural que seja em seus cantos, o Centro é o Centro — e continua sendo único.

1. Pequena África
O território que abrange o Largo da Prainha, a Pedra do Sal, a Gamboa e o Morro da Conceição constitui o núcleo da memória negra e da ancestralidade no Rio de Janeiro. A ironia da história recente é que foram justamente as intervenções urbanísticas de revitalização do centro — desenhadas para os Jogos Olímpicos — que trouxeram esse passado de volta à tona. Ao escavar o solo da zona portuária, a cidade reencontrou os escombros do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, porta de entrada de mais de um milhão de africanos escravizados e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial por sua “memória sensível”. Ali pertinho, a descoberta do Cemitério dos Pretos Novos escancarou as marcas de uma tragédia enterrada sob a cidade moderna.
Mas sobre aquelas pedras pisadas por estivadores também germinou a matriz da nossa identidade nacional. A Pedra do Sal carrega a fama histórica de ter sido o berço do samba urbano, abençoada pelas baianas e por figuras emblemáticas como Tia Ciata — quituteira, partideira e matriarca líder comunitária em cuja casa Pixinguinha, Donga e João da Baiana se reuniam para criar os primeiros acordes do gênero.
Marco de destaque: Largo da Prainha e a estátua de Mercedes Baptista
No coração do Largo da Prainha, emoldurado por casarões e pelas mesas espalhadas na calçada, ergue-se a estátua de bronze de Mercedes Baptista. Primeira bailarina negra a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal, Mercedes simboliza a afirmação artística que marca a história da região. O espaço ao seu redor funciona como ponto de encontro do público, ligando a memória da resistência ao movimento dos fins de tarde.

2. Boulevard Olímpico e Porto Maravilha
Um calçadão linear ao longo da Baía de Guanabara, este polo representa a fase contemporânea da Região Portuária. O trecho é pontuado por grandes equipamentos culturais, como o Museu de Arte do Rio (MAR) e o futurista Museu do Amanhã, além de receber passeios de pedestres, bicicletas e skate e a mobilidade do VLT.
Marco de destaque: Edifício Touring.
Localizado na Praça Mauá, o Edifício Touring é um dos expoentes da arquitetura Art Déco na cidade. Projetado pelo arquiteto Joseph Gire e inaugurado em 1936 para sediar o Touring Club do Brasil, o prédio com sua torre de relógio funcionou por décadas como o portão de entrada marítimo da capital. Restaurado no contexto das obras do Porto Maravilha, o edifício representa a memória portuária do século XX com a revitalização da região

3. Arco do Teles e Praça XV
Trata-se do trecho que preserva o desenho urbanístico do Rio colonial e imperial, voltado diretamente para a Baía de Guanabara. O contraste entre o ontem e o hoje se faz presente: onde a Praça XV, Largo do Paço, na época, descrita por Rachel Sisson funcionava como o centro político e marítimo do país, recebendo figuras importantes de Lisboa, hoje o espaço se reinventa na boemia. Suas travessas estreitas pavimentadas em pedra já não recebem os rituais da Coroa, mas sim um vibrante fluxo de bares, eventos de rua e feiras nos fins de semana. Entre elas, a Feira de Antiguidades, realizada todos os sábados no local.
Marco de destaque: Arco do Teles.
O conjunto arquitetônico encomendado no século XVIII pelo juiz Francisco Telles de Menezes liga a Praça XV à Travessa do Comércio. O arco abatido sob o edifício histórico sobreviveu ao incêndio de 1790 e hoje marca a transição entre a praça aberta do antigo porto e o labirinto de vielas pedonais que abrigam o happy hour do Centro histórico.

4. Eixo Carioca, Rua da Cerveja e Beco dos Barbeiros
Esta região conecta a essência corporativa do Largo da Carioca ao comércio da Rua da Uruguaiana e ao quadrilátero do Saara (Sociedade de Amigos e Protetores da Rua da Alfândega e Adjacências). A vizinha Rua da Carioca passa por uma transformação impulsionada pela chegada de cervejarias artesanais em casarões históricos, revitalizando o fluxo de frequentadores no final do expediente.
Marco de destaque: Convento e Igreja de Santo Antônio.
Situado no topo do Morro de Santo Antônio, com acesso pela escadaria do Largo da Carioca, o conjunto franciscano fundado no século XVII figura entre as construções mais antigas preservadas na cidade. Seus altares trabalhados em madeira dourada e o pátio elevado oferecem um mirante e um contraponto de silêncio ao ruído do calçadão e dos bares ao rés do chão.

5. Praça Tiradentes e Corredor Cultural
Conhecida pela atmosfera artística e pela diversidade de públicos, a região recebe rodas de samba e outros estilos musicais em seu entorno, além dos centros culturais relevantes e tradicionais da região: o Teatro João Caetano e o Teatro Municipal Carlos Gomes. Há agito também na histórica Rua do Lavradio, famosa por abrigar um respeitado circuito de antiquários e casarões oitocentistas recuperados, o local atrai colecionadores, turistas e interessados em viajar no tempo.
Recentemente, a região viu nascer um novo *point* de encontro no Beco do Bragança. Essa histórica travessinha, que preserva as características do Rio Antigo, tem aquele espírito carioca simpático do Arco do Teles, mas é bem mais extensa: começa na Rua Primeiro de Março e termina na Rua da Quitanda, bem em frente ao prédio da antiga Bolsa de Café do Rio de Janeiro. O irmão do Chefe da Casa Imperial do Brasil, o príncipe Dom Francisco de Orléans e Bragança, reside em uma casa histórica na viela e foi um dos pioneiros no movimento de volta à moradia no Centro Histórico. Há quem brinque que o beco é “do Bragança” por causa dele — embora, claro, o logradouro já tivesse esse nome há mais de um século. Com novos endereços e mesas na rua, o local vem movimentando essa área da região central.
Marco de destaque: Real Gabinete Português de Leitura.
Instalado na Rua Luís de Camões, a poucos metros da praça, a instituição fundada em 1837 apresenta uma fachada imponente. Seu salão de leitura, com estantes de madeira entalhada em múltiplos pavimentos e claraboia de ferro, guarda o maior acervo de obras portuguesas fora de Portugal e constitui uma das principais referências bibliográficas e arquitetônicas da cidade.

6. Polo Lapa Tradicional
Centrado nas imediações da Rua Joaquim Silva, da Rua da Relação e dos Arcos, este polo é o núcleo histórico da boemia carioca. Foi nessas ruas e sobrados que circularam personagens mitológicos da cultura do Rio, como o malandro Madame Satã e a maestrina Chiquinha Gonzaga. Hoje, a área mantém viva a tradição do samba de raiz e do choro, atraindo desde frequentadores locais a turistas do mundo todo. Como destaca a jornalista Mariana Sgarioni, a Lapa se traduz “pela efervescência noturna, pelo samba, pelas rodas, pela gafieira e por essa mistura tão característica do Rio”.
Marco de destaque: Arcos da Lapa e o Beco do Rato.
O Aqueduto da Carioca, construído no século XVIII, é elemento central de identificação visual do bairro. Em sua sombra estende-se a dinâmica boêmia que encontra na Rua Joaquim Silva — em casas como o Beco do Rato — o abrigo para o samba de terreiro e de quadra, mantendo a convivência entre sambistas veteranos e as novas gerações.

7. Polo Rua do Senado e Cruz Vermelha
Ponto de transição entre a Lapa e a Praça da Cruz Vermelha, este setor preserva a altura baixa dos sobrados do século XIX e uma acolhedora escala de bairro. A região é um exemplo vivo do efeito dominó da revitalização urbana: a recuperação de um casarão ou bar tradicional acaba puxando a reabertura de imóveis vizinhos que estavam de portas fechadas, fazendo surgir novos bares e restaurantes no entorno. Eleita uma das vias mais interessantes do mundo, a Rua do Senado destaca-se pelo circuito de gastronomia de balcão, antiquários e um movimento cultural que ocupa as calçadas.
Marco de destaque: Armazém Senado.Localizado na esquina da Rua do Senado com a Avenida Gomes Freire desde 1907, o estabelecimento conserva suas prateleiras originais de secos e molhados e o balcão de madeira com tampo de mármore. Comprado em meados dos anos 1980 por Antônio Pires, o negócio é gerido há mais de três décadas pelos irmãos Antônio Henrique e Fernando Magalhães Pires.
– O evento veio com a gente, nós trouxemos o evento pra cá. Antigamente não tinha esses eventos aqui -, conta Henrique. – Já tentamos outros estilos musicais como forró, jazz e chorinho, mas o que agrega gente de verdade é o samba. Às sextas, sábados e domingos, o armazém reúne um público cativo, turistas e rostos bem conhecidos da televisão — atores e artistas como Humberto Carrão são frequentadores assíduos das rodas da casa. – Antigamente, o pessoal estava acostumado com os bares estilo Zona Sul. Quando chegam aqui, veem uma coisa mais antiga, com cara dos anos 60 e 70. Eles gostam.
A permanência do armazém como ponto de encontro afeta diretamente a memória dos moradores. Para o vizinho e frequentador Paulo Francisco dos Santos, que mora no Centro desde que nasceu e frequenta o espaço desde os anos 1990, o clima do bar tem papel afetivo.
– Remete à minha infância na Lapa. Lá tinha outros armazéns de secos e molhados mesmo, onde você ia comprar quilo de arroz, feijão e carne-seca.
Essa movimentação cultural acabou transformando a vizinhança.
– O número de restaurantes, bares e casas de show aumentou. A gente sai daqui 22h e a rua tá lotada de gente, conclui Henrique, exemplificando como o comércio tradicional e a cultura de rua continuam a redefinir a vida no Centro do Rio.

A DEGRADAÇÃO ARQUITETÔNICA É UMA AMEAÇA
Muito antes de o “Reviver Centro” estampar decretos e incentivos fiscais, a redescoberta da região começou de baixo para cima, na cerveja de garrafa e na ousadia de agitadores culturais. Nos anos 1990, a Lapa — que completava décadas de esvaziamento e uma fama de local perigoso — começou a dar os primeiros sinais de reencontro com a cidade. Foi ali que a boemia carioca decidiu cruzar de volta as fronteiras da Zona Sul e dos subúrbios para ocupar os sobrados e calçadas centenárias.
Figuras emblemáticas assumiram a linha de frente dessa reconquista. E locais tradicionais foram ressignificados, como a Fundição Progresso e o Circo Voador. E outros surgiram, como o Carioca da Gema, casa de samba, nos anos 2000. As portas de antigos sobrados abertas ao público provaram que o Centro Histórico podia voltar a pulsar. O público jovem e universitário passou a adotar a região como paradeiro obrigatório.
Nessa virada de chave, espaços icônicos no centro tornaram-se verdadeiros espaços de resistência cultural:
O Clube dos Democráticos: Na Rua do Lavradio, o salão imponente de 1867 renasceu nos anos 90 como a grande catedral da gafieira, do choro e, principalmente, do forró pé-de-serra. Com suas grades ornamentadas, piso de madeira gasto por décadas de dança e cerveja de garrafa, o Democráticos virou, como o próprio nome já revela, ponto de encontro democrático entre veteranos e jovens, muitos da Zona Sul, dispostos a virar a noite ao som da sanfona e do pandeiro.
O Cine Íris: Localizado na Rua da Carioca e fundado em 1909, resistiu bravamente. Nos anos 90 e 2000, além de sua programação popular, o espaço com sua arquitetura deslumbrante, passou a abrigar festas alternativas, shows e eventos underground.
Foram esses oásis dos anos 90 que provaram o potencial do Centro como polo de convivência, preparando o terreno e abrindo caminho para tudo o que viria a acontecer nas décadas seguintes.
Se o passeio pelos sete polos propostos nesta reportagem revela a vitalidade de um Centro plural, ele também escancara os desafios de planejar o futuro dessa região. Depois de décadas sofrendo com o esvaziamento populacional e com a degradação de seu patrimônio histórico — onde casarões oitocentistas se transformaram em ruínas ou estacionamentos informais —, o poder público decidiu intervir. A resposta municipal atende pelo nome de Reviver Centro, um abrangente programa de recuperação urbana, cultural e econômica que busca atrair novos moradores, reaproveitar imóveis ociosos e transformar a região central em um polo residencial atrativo.
A urgência de salvar o patrimônio e reocupar a área com moradias é consenso entre urbanistas, arquitetos e moradores. Afinal, uma região central dotada de transporte, saneamento e cultura não pode funcionar como um espaço “fantasma” após o horário comercial. O gargalo surge quando o incentivo à recuperação esbarra nas regras do mercado imobiliário e acende o alerta para um fenômeno antigo, mas sempre tenso: a gentrificação, ou seja, o processo de valorização imobiliária e transformação cultural de um bairro que acaba por elevar o custo de vida local, encarecendo aluguéis e pressionando a saída de moradores e comerciantes tradicionais.
No Rio, esse debate não é novidade: a abertura da Avenida Central no início do século XX e a construção da Avenida Presidente Vargas nos anos 1940 apagaram bairros inteiros, destruíram locais históricos como a Igreja de São Pedro dos Clérigos e desalojaram populações de baixa renda em nome da modernização.
Voltando aos dias de hoje, recuperar um sobrado tombado exige investimentos altíssimos em engenharia e restauração, o que torna difícil para o mercado privado destinar essas unidades recuperadas à habitação de interesse social sem subsídios pesados do Estado. Ao mesmo tempo, o sucesso do turismo e a chegada de novos empreendimentos trazem um inevitável debate sobre o perfil dos frequentadores.
Em territórios sagrados e de ancestralidade, como a Pedra do Sal, na Pequena África, a mudança de dinâmica é visível: o espaço histórico do samba e da resistência negra passou a atrair uma presença massiva de turistas e do público vindo da Zona Sul. Para a economia local, o fluxo de visitantes e a injeção de capital são estratégias fundamentais para manter bares abertos, gerar empregos e custear a manutenção de imóveis que, de outro modo, cairiam aos pedaços. Por outro lado, ativistas e moradores alertam para o risco de descaracterização cultural e do encarecimento dos custos de vida para quem sempre esteve ali.
Não se trata de escolher um lado, mas de enxergar que qualquer projeto de requalificação urbana envolve escolhas complexas. Especialistas defendem que, para o Reviver Centro se consolidar como uma transformação duradoura e socialmente justa, o grande desafio será conectar o capital privado à habitação social, garantindo que o resgate do passado não sirva apenas para atrair consumidores, mas, também, para garantir que quem construiu a alma do Centro continue tendo o direito de morar, trabalhar e celebrar nele.









