MEU RIO: POR GABRIELA LOPES SIQUEIRA

DESLUMBRANTE UTOPIA CARNAVALESCA
Utopia que se fantasia de realidade a cada ano na maior manifestação cultural do país, o Carnaval ganha, em Maricá, a devida reverência. Começou agora em outubro a exposição “Carnavais da Utopia”, na Casa de Cultura, no Centro da cidade, para percorrer a trajetória virtuosa da União de Maricá, que em 2027, desfilará no olimpo do Grupo Especial.
Realizada pela prefeitura por meio da Companhia de Cultura e Turismo de Maricá (MARÉ), a mostra tem curadoria do artista plástico, cenógrafo e arquiteto Gringo Cardia. O espaço reúne referências à história da agremiação, incluindo fantasias de desfiles anteriores e oferece
experiências interativas com música e dança, aproximando os visitantes do universo do samba.
O público também poderá conhecer a proposta do enredo “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”, que a escola levará à Passarela do Samba em fevereiro próximo.
“Essa exposição celebra a arte que se faz no Carnaval, com vários artistas numa ópera narrando a história do Brasil. Maricá ganha protagonismo nacional e até mundial por meio da festa”, celebra Cardia.

SERVIÇO
Exposição “Carnavais da Utopia”
Local: Casa de Cultura de Maricá – Centro
Data: De 17 de outubro de 2026
a 13 de fevereiro de 2027
Quartas e quintas-feiras, das 9h às 17h;
sextas-feiras e sábados, das 11h às 19h

MUITO ALÉM DO PAVILHÃO
Na quase centenária odisseia do Carnaval, somente uma artista rodopiou com os pavilhões de Mangueira e Portela, as duas matriarcas do paticumbum: Squel Jorgea. Quer mais? Não seja por isso: ela também virou estrela de documentário. “Squel – Confissões de uma porta-bandeira”, de Cecília Torrealba e Zeca Brito, estreou no Festival do Rio, num visceral mergulho pela história e a vida pessoal de uma das estrelas da festa dos bambas na atualidade. O filme conjuga momentos de inesquecível consagração – como o icônico desfile de 2016, quando Squel passou careca, simbolizando a iniciação das iaôs no candomblé, e acabou campeã com a Mangueira – e doídas questões pessoais – a aposentadoria em nome da maternidade, depois interrompida para a volta na Portela. Emerge da tela a mulher complexa e talentosa, bela e resoluta, que incorpora vários pendores dos ídolos carnavalescos.

OBRA IMPERDÍVEL, EMOÇÃO PURA: FANTASIA REAL DA SUSTENTABILIDADE
Além de emoção, o Carnaval também aposta na sustentabilidade. Chega com a Beija-Flor de Nilópolis, em 2027, importante marca na agenda tão urgente: 99% das plumas usadas nas fantasias da escola serão artificiais. O uso de ecoplumas, além de simbolizar a preocupação da diretoria com o planeta, conduz à deusa da Baixada a lugar de vanguarda no debate ambiental. A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados acaba de aprovar projeto de lei que proíbe o uso de plumas e penas de origem animal em alegorias e figurinos carnavalescos.
Mas a opção da azul e branco também dialoga com o enredo do próximo ano, “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, celebração a Zeneida Lima, pajé da Ilha do Marajó (PA) que atua como ambientalista, ativista social e referência mítica da região.

A SAGA DAS GRIFES DO PATICUMBUM
A coluna está totalmente no clima “esquentando os tamborins”. No finzinho de outubro começou, na Cidade do Samba, a Rio Carnaval Expo, exposição imersiva sobre a história da grande festa brasileira. Numa área de 848 m2, dividida em 12 eixos temáticos, a mostra conduz o público por diferentes etapas da trajetória das escolas de samba, desde as origens populares e afro-brasileiras até a grandiosidade dos desfiles atuais. O percurso está organizado em quatro temas: Origens & História, A preparação do desfile, Apoteose do samba e Epopeia do samba. Os núcleos vão abordar o nascimento do samba, os preparativos nos bastidores, a expectativa antes da entrada na avenida e a experiência de um desfile. A influência da cultura negra na formação da festa e o trabalho de artistas, artesãos e comunidades envolvidos na criação dos enredos, fantasias e alegorias serão outros destaques.
A Rio Carnaval Expo fica em cartaz até 26 de janeiro de 2027, com ingressos a preços populares. As entradas já estão disponíveis para pré-venda.

SABERES DO MESTRE NO RITMO DA VIDA
Um dos mestres de bateria mais talentosos e versáteis do Carnaval, Macaco Branco, regente da Vila Isabel, narra sua trajetória no livro “O compasso de uma História: a trajetória do Mestre Macaco Branco”, da Rubi Editorial. A obra percorre a trajetória do artista da adolescência aos dias atuais, de brilho na Sapucaí. Mas não se limita ao relato pessoal: também oferece lições a quem está no começo da estrada, qualquer que seja ela. “Quero mostrar que os jovens são pilotos do próprio destino”, explica o mestre, sem negligenciar das lições que formam cidadãos. “Peço o boletim, confiro se estão andando com documento, no caminho certo. Nosso trabalho na Vila Isabel é um complemento da educação que eles recebem em casa”, garante, cuidadoso com os jovens ritmistas.