ALTO ASTRAL: NOTÍCIAS DA GASTRONOMIA CARIOCA

Crudo de peixe à moda coreana

Bruno Agostini

CHURRASCO COREANO EM BOTAFOGO
O chef peruano Marco Espinoza sempre foi chegado na cozinha asiática. Mais precisamente na culinária chifa, de origem chinesa, e Nikkei, que é a vertente japonesa, duas das culturas gastronômicas importadas mais populares de seu país. Ele já tinha duas marcas, o Cantón e o Kinjo, ambos em Copacabana, que representam muito bem isso. No finalzinho do ano passado a sua filha, Catalina Espinoza, criou o que podemos chamar de japonês pop, que tem nos jovens o público-alvo, numa casa que gira ao redor dos quadrinhos, das culturas japonesa e coreana e do universo moderno, colorido e iluminado, com grafites pelas paredes, esculturas e um menu pensado para eles.

Agora eles dão mais dois passos em direção a esse mundo, com a criação de dois novos restaurantes. O primeiro, o Banchan Korean BBQ, é uma casa coreana, dedicada ao churrasco, que abriu as portas com as reservas esgotadas até o fim de novembro nas mesas do segundo andar, onde ficam as grelhas a carvão que são a grande estrela do lugar. Banchan são as guarnições que acompanham esse serviço, uma tendência na gastronomia mundial.

Bulgogui, o tartare coreano no Banchan

Além do serviço de churrasco, para ser compartilhado, por duas, três ou quatro pessoas, há espetinhos, como o que combina pancetta e e shimeji; e o bulgogui, de bife ancho marinado em shoyu e pera, com barbecue coreano; além de massas recheadas cozidas no vapor e depois grelhadas, os chamados mandus: tem recheada de porco, nirá e kimchi; e de camarão e gengibre.

Outros destaques são o Sotteok-Sitteok, uma porção de bolinhos de arroz glutinoso e linguiça com ketchup de gochujang e maionese da casa; e o KFC, feito com coxa e sobrecoxa marinadas, empanadas e fritas, no tradicional estilo coreano, molho apimentado agridoce, amendoim e gergelim. Também promete fazer sucesso o kimchicheese, harumaki com massa crocante e recheada porco com queijo, milho e kimuchi artesanal da casa, servidos com molho agridoce.

E VEM MAIS POR AÍ…
As obras já estão avançadas em Copacabana, onde vai funcionar o BAP Asian Street, outra operação que foi idealizada por Catalina, que criou o conceito e a decoração. Chama a atenção o imenso gato que está na fachada, se projetando para fora.

“O BAP é um fast food asiático, que vai ter receitas de toda a Ásia. As comidas de rua típicas de vários países. Vamos ter guiozas, yakisobas, comida da Tailândia, da Coreia. Uma comida rápida, fácil de comer, com preços de fast food, e uma ambientação bem diferente. A ideia era trazer isso para Copacabana, uma região que muita gente passa, e que tem muita concentração de turista. Um conceito mais informal, mas respeitando a tradição gastronômica dos países. Uma marca que a gente pode replicar, expandir”, adianta Espinoza.

Abre em novembro.

Marco Espinoza, Kiko Faria e Lelo Forti

E VEM MAIS POR AÍ 2…
Mas e o chef não para… Com inauguração também prevista para novembro, ele vai abrir em sociedade com o chef Kiko Faria e com o bartender Lelo Forti o seu primeiro bar: vai ser o Emigrante, instalado em um belo casarão de três andares na Lapa, do final do século 19, um prédio histórico.

“O Emigrante vai ser um bar, sempre quis um bar, um lugar para todos se reunirem, de modo democrático. Um lugar de encontro, de festa. Um lugar que através da comida vai te transportar para outros país, da mesma forma que a carta de drinques. Para criar esse conceito o foco é esse. Muita música, muitos drinques e muita comida boa. A Lapa é um lugar de encontro e de festa”, conta o chef peruano.

Nigiri de cavalo (esq.)

CAVALO NA CASA UEDA
O chef Eric Ueda está servindo uma iguaria rara no Brasil, apesar de ser bastante consumida em outros países, como a Itália, e o Japão. Já imaginou provar um sushi de cavalo? Além dele, há mais receitas com essa carne: “Estamos servindo sushi, sashimi, tartar, yakiniku, shogayaki (com gengibre na manteiga) e sakura gyu don (arroz e a carne cozida acebolada em cima). Dá para fazer outros pratos também. Ainda estou criando”, diz Ueda.

Sanduíche de mignon à milanesa à moda japonesa

SANDUÍCHES JAPONESES NO RIO SANDÔ
O chef Gabriel Carvalho apresenta o Rio Sandô, projeto dedicado aos sandôs, tradicionais sanduíches japoneses preparados com o pão macio shokupan. A proposta combina referências da culinária nipônica com sabores que dialogam com o paladar carioca, em uma operação voltada para o delivery. O pão, elemento central da experiência, foi desenvolvido após uma série de testes para alcançar a textura e o formato desejados.

O menu reúne opções como o tonkatsu sando, com carne suína empanada e molho tonkatsu; o tamago sando, recheado com pasta de ovos; além de versões com filé e queijo, frango com teriyaki e pasta de atum. A ideia é apresentar ao público carioca uma das tradições da sanduicheria japonesa, com combinações que valorizam a simplicidade dos ingredientes e a qualidade do pão.

Satay clássico, de frango com molho de amendoim

SATAY CHEGA A IPANEMA
O Satay chega a Ipanema com um cardápio inspirado em diferentes tradições gastronômicas asiáticas, reunindo referências da Tailândia, do Japão, da Coreia e da China. Entre as entradas, aparecem os satays de frango, mignon e camarão, que não poderiam faltar, servidos com molho tailandês de amendoim, além de guiozas, baos e o KFC, versão de frango frito coreano com molho de gochujang e mel. A carta também inclui o Tuna Mex, trio de tacos de mandioca com tartar de atum, maionese de raiz-forte, guacatay e furikake da casa.

Nos principais, o menu traz camarões ao curry vermelho tailandês com leite de coco, topokki coreano, com nhoque de arroz e molho gochujang, barriga de porco oriental com arroz gohan e yaki udon de cogumelos.

Para acompanhar, a casa oferece drinques autorais como o K-Drama, preparado com soju, gengibre, limão e mel, e o Shibui, que combina Macallan 12 anos, Lillet Blanc, vermute e bitter de amarena. A carta inclui ainda clássicos como Negroni, Aperol Spritz e Moscow Mule. Para encerrar, há sobremesas como o Japudim, pudim com caramelo de missô e tuile de matchá, e o Brownie da Lua, servido quente com crème anglaise e redução de mandarina.

O tradicional bar e restaurante ficou quatro meses fechado

LAMAS REABRE AS PORTAS
Um dos endereços mais tradicionais da gastronomia carioca, o Café Lamas reabre as portas ao público nesta quarta-feira, 21 de outubro, após quatro meses fechado em consequência de um incêndio ocorrido em junho. Fundado há 152 anos e reconhecido como Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro pela Prefeitura, o restaurante retoma suas atividades com a proposta de manter viva a história e a tradição que o transformaram em um símbolo da boemia da cidade.

A reabertura foi viabilizada com o apoio de bares e restaurantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, que se mobilizaram para contribuir com a recuperação da casa. A iniciativa (#JuntosPeloLamas) reforça os laços de solidariedade entre profissionais e estabelecimentos do setor gastronômico, em torno da preservação de um endereço que faz parte da memória afetiva de diferentes gerações de cariocas. No site, é possível fazer doações: https://cafelamas.com.br/

Ao longo de sua trajetória, o Café Lamas se consolidou como ponto de encontro de políticos, intelectuais, artistas, jornalistas e frequentadores que ajudaram a construir sua história. O Flamengo foi fundado ali.

Sua longevidade acompanha as transformações do Rio, mantendo o restaurante como uma referência da vida social e gastronômica da cidade.

Entre os seus pratos amis icônicos estão o bife à parmegiana, o filé à Oswaldo Aranha e o filé à francesa.

Com a retomada das atividades, a casa volta a receber seus clientes e admiradores, reafirmando a importância de preservar espaços históricos que continuam fazendo parte do cotidiano carioca.

“Como um apaixonado pelo Rio de Janeiro, tenho certeza que bares centenários como o Lamas não podem fechar, porque eles são a própria história da cidade”, afirma Ricardo Garrido, sócio-fundador do Bar Pirajá e da Bráz Pizzaria e um dos articuladores da ação.

Salpicão de galeto, uma das especialidades da casa

CAPOTE ROTISSERIA & BAR
Abriu as portas, em meados de outubro, a Capote Rotisseria, nova empreitada do chef Ricardo Lapeyre, que recentemente inaugurou o Peixoto Bar, no Bairro Peixoto, em Copacabana. O novo espaço fica na Rua Conde de Irajá, em Botafogo, e traz um menu enxuto, com petiscos, alguns pratos e guarnições (pedidas à parte), e dois sanduíches, e também uma dupla de sobremesas.

Podemos definir um lugar como um bar e restaurante informal, com proposta gastronômica franco-brasileira, com ambiente descontraído, focado em carnes e vegetais assados na brasa, na lenha e na tradicional “televisão de cachorro” (frangueira).

Para beliscar tem terrine de galinha-d’angola e macadâmia; a rillette do dia (galeto assado, dijon, ervas frescas e pele da casa); pastel de queijo Canastra e cebola; steak tartare com batata portuguesa; croquetes de joelho de porco com maionese de sriracha, picles de cebola e maxixe; homus de beterraba com melaço de romã, ervas frescas e pão da casa; e pipoca de couve-flor, em massa de em tempurá com maionese de sriracha.

Na parte chamada Elenco estão as carnes assadas lentamente na churrasqueira: inicialmente tem cupim com molho de mostarda escura; galeto “atropelado”, assado na brasa, cortado e passado na lenha com molho especial; paleta de cordeiro desossada em crosta de ervas; joelho de porco defumado na brasa; e dois preparos veganos: repolho assado na lenha e glaceado com pimenta coreana; e couve-flor inteira, glaceada com missô e limão galego.

Cada carne dá direito a uma guarnição, que também pode ser pedida à parte: arroz jasmim frito com cebola roxa assada e cogumelos, além de farinha panko, molho ponzu, gengibre e cebolinha; a chamada “guarnição da vovó”, com batata calabresa salteada, cebola pérola caramelizada, cogumelos Paris, bacon, alho e salsa; a “salada de tomate do meu pai”, com tomate italiano, balsâmico, cebola roxa e manjericão; salada de batata, ao murro feita na brasa, com cebola roxa assada, tomatinhos, ervas frescas e maionese caseira; salada de pepino japonês na brasa, iogurte grego, molho tahine, hortelã, cebola roxa e melaço de romã; purê de batata cremoso com mostarda Dijon; e farofa de panko, brioche, alho, pimenta-de-cheiro.

Há ainda os chamados pratos especiais, para dividir: tem o empadão da Carol (de galeto assado na lenha com requeijão de corte e compota de tomate); e lasanha (de paleta de cordeiro desfiada, massa fresca, fonduta de cabra e glace de cordeiro caseira); e um salpicão, que pode ser prato principal ou mesmo servir de guarnição (a receita tem galeto assado na brasa, cenoura, milho, maionese caseira, Dijon e palha de batata-doce).

O cardápio de comidas se completa com dois sanduíches, o croque monsieur Lap (no brioche, gratinado com joelho de porco defumado, queijo canastra e muito bechamel) e pasta de galeto (no pão de fermentação natural).

Para encerrar, mousse de chocolate e farofa caramelada de castanha e torta de limão galego, merengue e suspiro.

Para beber, há drinques, chope e vinhos naturais brasileiros em taça (branco com Torrontés; laranja com Moscatel de Alexandria; clarete de Sangiovese; e tinto de Pinot Noir.

Vongolones no Satyricon

NOVAS CONCHAS À VISTA
Falando em Peixoto Bar… Esse bar especializado em peixes e frutos do mar, em Copacabana, tem vários bons fornecedores, já que tem como sócios os donos de uma peixaria de mesmo nome, logo em frente. Além de garantir qualidade e variedade de pescados, eles apresentam algumas iguarias raras. Ostras, por exemplo, são três tipos disponíveis por dia, com origens diferentes: pode vir de Santa Catarina, de Cananeia, em São Paulo, ou do Rio Grande do Norte.

Também encontramos ali as lambretas, em aveludado molho de palmito com fritas, petisco inspirado nas moules et frites. Essas conchas estão em alta, e hoje já encontradas em alguns bares e restaurantes da cidade, caso da Churrascaria Palace, também em Copacabana, que está servindo uma versão fria, que fica no bufê. Estão excelentes.

Quem está com novas conchas em seu cardápio é o clássico Satyricon, principal referência em peixes e frutos do mar, não só do Rio, mas do Brasil inteiro, com seus mais de 40 anos de tradição. A casa, italiana-mediterrânea, está com vongolones, um marisco maior que os vôngoles, mais comuns, com tamanho parecido com lambretas e amêijoas, típicas de Portugal.

Ótimas notícias.

O chef Didier Labbé está no Brasil há 18 anos

DIDIER LABBÉ NO CHEZ L’AMI MARTIN
Fundado em 2009, o Chez L’Ami Martin mantém a proposta de bistrô francês com alma carioca. Com a chegada do chef francês Didier Labbé, que recentemente assumiu a cozinha do Chez L’Ami Martin, no Fashion Mall, em São Conrado, a casa reforça essa francofilia à moda do Rio, apresentando novos pratos. O cardápio recém-renovado combina a tradição da gastronomia francesa com ingredientes brasileiros.

“Gosto muito dos insumos daqui e não poderia deixá-los de fora dos preparos”, afirma o chef.

Entre as novidades estão os escargots gratinados com farofa de panko e manteiga de ervas; a polenta cremosa com cogumelos trufados e crocante de parmesão; e a salada de camarões com queijo brie.

Na seção dos pratos principais, aparecem o risoto de arroz negro com camarões e creme de limão-siciliano, o salmão grelhado com purê de banana-da-terra e molho gremolata, o magret de pato com musseline de batata-baroa, caju confitado e molho de acerola e a fraldinha assada por três horas, à moda bourguignon, com purê de batatas e bacon crocante; e polvo à putanesca tentáculos de polvo grelhados com batatas ao murro, julienne de legumes e molho picante de tomate, finalizado com azeite extra-virgem cítrico e ervas frescas.

Para completar, riz de canard arroz puxado com coxa de pato confit desfiado ao molho bordelaise, cebola calabresa, magret de pato, legumes e alho confit, finalizado com pimenta biquinho e azeite extra-virgem; magret de canard – peito de pato servido com musseline de batata baroa, caju confitado, brócolis e molho de acerola; e Steak au poîvre tornedor de filé mignon grelhado com pimenta do reino, finalizado no forno ao ponto do chef.

Vieira com kimizu

NAGA LANÇA OMAKASÊ DE PRIMAVERA
O Naga, restaurante do Grupo Nagayama no Rio de Janeiro, apresenta o Omakasê de Primavera, nova edição de seu menu degustação servido exclusivamente sob reserva, no balcão. Idealizada pela restauratrice Cecília Nagayama, a experiência é inspirada no shiki, filosofia japonesa que celebra as quatro estações, e tem menu assinado pelo chef Masahiko Iguchi, com pratos que valorizam a sazonalidade e combinam técnicas tradicionais japonesas a ingredientes brasileiros e internacionais.

Entre os destaques estão sashimi de bluefin toro, hamachi e centolla grelhada; wagyu com nirá ao molho de jabuticaba e manga; temaki de toro; vieira com kimizu; e foie gras com lichia. A sequência reúne preparações da cozinha quente e do sushibar, sob o comando dos chefs Masahiko Iguchi, Jaciel Pereira e Michel Peres.

Pizza Sardenha

NOVOS VINHOS NA ELLA
A Ella Pizzaria, no Jardim Botânico, apresenta uma nova carta de vinhos assinada por Pedro Hermeto, restaurateur do Aprazível, que passa a integrar a sociedade da casa ao lado do ator Marcello Novaes. A seleção reúne rótulos brasileiros e estrangeiros, com destaque para pequenos produtores familiares e vinhos de fermentação espontânea, em uma proposta que busca valorizar a combinação entre vinho e pizza.

A carta foi concebida para acompanhar o cardápio da pizzaria, cujas massas passam por fermentação natural e maturação mínima de 48 horas. Entre as opções estão vinhos de diferentes estilos e origens, com alternativas para quem deseja explorar novas combinações à mesa.

Entre os destaques aparecem o brasileiro Casa Marques Pereira Chardonnay “As Torres” 2023; o austríaco Aus Baco Duett Riesling–Grüner Veltliner 2024; e o argentino Familia Secchin Malbec 2024 (os três vendidos em taça).

A seleção contempla ainda três tintos brasileiros da Casa Marques Pereira — Cabernet Franc, Sangiovese e Teroldego, todos da safra 2023. Entre os vinhos de fermentação espontânea estão o uruguaio De Lucca Tano Tannat Natural 2024 e o Vivente “Um bom motivo” 2025), elaborado com Pinot Noir, Cabernet Franc e Chardonnay.

O repertório se completa com rótulos como o argentino Paso a Paso Criollas de Don Graciano Maceración Carbónica 2024, o chileno Longaví Glup Cinsault 2021, o francês Domaine Rimbert Saint Chinian “For Me” 2022 e o Champagne Drappier Carte d’Or Extra-Brut. A carta inclui também a sidra francesa Le Kerné e o Porto Tawny Quinta do Javali, servido também em taça.