Bruno Agostini
O chef Ignácio Peixoto tem um currículo vasto, apesar da pouca idade: 36 anos. Sua família tinha uma criação de coelhos e Teresópolis, e a operação de dois restaurantes, quando ele iniciou a sua carreira ainda na adolescência, ajudando os pais nos negócios. Veio ao Rio estudar gastronomia e passou por lugares como Pipo, com Felipe Bronze, e o Grupo Irajá, implementando novos restaurantes como Formidable, Cozinha Artagão e Azur, sendo o braço direito de Pedro de Artagão. De lá assumiu a sua primeira cozinha, no Bagatelle. Passou pelo Xian, quando trabalhou com o empresário Marcelo Torres, renomado restaurateur. Atuou em eventos, chefiando a cozinha de bufês, até que no ano passado participou da criação do Bistrô Glória e da renovação da Pici Trattoria. Ele lembra com orgulho de quando cozinhou para ninguém menos que Alain Ducasse, simplesmente o chef com mais estrelas Michelin no mundo, e Jerôme Bocuse, filho dessa lenda da gastronomia, fundador da Nouvelle Cuisine. Agora ele acaba de assumir um novo posto, à frente do Itsáry, no Centro.
– – Eu sempre quis trabalhar com o Ignácio. Gosto muito se sua cozinha, e da pessoa que ele é – comemora o advogado Jorge Passarelli, um dos sócios do restaurante.

O menu é dividido em quatro seções: para começar, para acompanhar ou compartilhar, como principais e doces.
– – É uma cozinha autoral, totalmente livre, carioca, com identidade própria, onde tenho total autonomia e liberdade para criar a minha história aqui, refletindo exatamente a minha essência carioca de ter raízes: Itsáry quer dizer “raízes”, raízes que conectam o Brasil com o mundo – diz o chef.
Seu menu inicial tem uma espinha dorsal, que vai se manter, mas sempre com espaço para entrarem pratos sazonais, do dia, da semana, conforme os ingredientes no mercado.
Ao lado de um grupo de chefs, tive um almoço delicioso, para conferir a novidade. Para começar, um ótimo pão de fermentação natural com a manteiga da casa. Ótimo boas-vindas.
Seguimos com creme de ostras, picles de chuchu e maçã verde; linguiça de costela, salsa brava, cebola roxa e dijonnaise; dumplings de língua com chilli crunch oil e ervas frescas; crudo de peixe do dia (buri) com uva verde, molho ponzu e vinagrete; atum zuke com coalhada, pepino, rabanete e noisette; carne cruda com cogumelo defumado, pangratatto e aioli negro; toast de camarão rosa com manteiga de missô, ikura e cebolete. Zeramos o menu de entradas.
Teve ainda beterraba assada com queijo de cabra, castanhas e mel picante fermentado; costela 16 horas com purê de aipim, agrião e queijo Canastra; e cowboy steak de black angus com batata frita e sauce choron.
Para encerrar, pudim de leite com calda de laranja e creme de erva mate; e mousse e crocante de chocolate, ganache e gel de cupuaçu.
o que posso dizer, ora resumir: o Itsáry hoje está na minha lista de lugares essenciais. Uma cozinha muito boa, com originalidade, sabendo explorar os ingredientes, com alto nível de execução nos molhos, e nas guarnições. Uma coisa que me remete a lugares que eu gosto e admiro como Lilia, Trégua e Nosso.
Achei muito bom: #vaipormim
SERVIÇO
Itsáry: Avenida Franklin Roosevelt 194, Centro. Instagram: @itsary










