EDITORIAL: O FEIJÃO É ABSOLUTO

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Esta edição da Rio Já reverencia a mais carioca e brasileira das comidas, aquela que frequenta qualquer mesa, da mais modesta à mais opulenta e rica. Se é possível afirmar que existe um prato que para o qual ninguém deixa de arregalar os olhos e diante do qual ninguém deixa de salivar, este prato atende pelo nome de feijoada. E até o nome desperta vontade de comer.

A feijoada está cativa no imaginário do brasileiro. Exatamente por isto, e por ter raízes extremamente populares, frequenta o universo do samba, e há exemplos que merecem ser lembrados aqui. Que tal começar por Paulinho da Viola (No Pagode do Vavá):

Domingo lá na casa do Vavá
Teve um tremendo pagode
Que você não pode imaginar
Provei do famoso feijão da Vicentina
Só quem é da Portela é que sabe
Que a coisa é divina

Nosso crítico de gastronomia Bruno Agostini visita, descreve e analisa as mais famosas feijoadas do Rio, sem esquecer daquelas que, menos conhecidas, arrastam seguidores fieis e, muitas delas, conseguem a façanha de inovar uma receita que não poderia ser mais simples. Já Chico Buarque canonizou a “Feijoada completa”:

Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão!

Nosso repórter não é fundamentalista, respeita qualquer gosto, mas pessoalmente é ortodoxo. Feijoada boa é a feijoada que não foge das carnes menos nobres e mais carregadas no colágeno. “Pra mim, não basta ter a feijoada pura e simplesmente. Tem que ser de verdade. Ali na casa da família Rocha, 70 anos de vida, a receita é legítima, e o preparo leva pé, rabo e orelha de porco, que são fundamentais para dar sabor ao caldo, e trazer aquela textura aveludada, que faz a diferença”, diz Bruno. Parece fácil, mas exige perícia e carinho, como aconselham Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz (“Feijão da Dona Nenem):

Bota lenha na fogueira, Neném
Deixa o feijão cozinhar
Bota lenha na fogueira, Neném
Não deixa o feijão queimar

(Para ler a reportagem de capa desta edição, clique aqui).

E antes que bata aquela leseira que sucede a feijoada, abra os olhos para toda a Rio Já. Tem turismo chique, e com gravações em drone, para estrangeiro que visita a Rocinha, por Caroline Rocha. Tem festa charme, mania dos anos 70 que ressuscitou na cidade, por Luisa Prochnik. Há espaço para Aydano André Motta antecipar os enredos das escolas de samba para o ano que vem. Jan Theophilo desafia o leitor, contando 10 histórias extraordinárias do centenário Palácio Tiradentes que a maioria deconhece. Marcelo Macedo Soares dá o serviço e mostra imagens maravilhosas dos mais fantásticos mirantes da Região dos Lagos. E, como sempre, nossa cereja do bolo é a deliciosa coluna da Gabriela Lopes Siqueira.

Seja bem-vindo!