Bruno Agostini
O Belmonte nasceu em 1952, na Praia do Flamengo, quando ainda se tinha vista para o mar da Baía da Guanabara. Nos anos 1960, porém, com o Aterro do Flamengo, as águas se afastaram bastante do bar. Só em 2021 voltou a ter vista para o Atlântica, quando abriu as portas a unidade que se tornou a mais importante da rede, na Vieira Souto, em Ipanema, na esquina com a Farme de Amoedo. Agora, em 2025, o Belmonte volta a estar pertinho da Guanabara, com a inauguração de um dos espaços mais aguardados do verão carioca, e porque não dizer, da década? É o Edifício Touring, na Praça Mauá, que reabriu as portas no fim de janeiro, agora como polo gastronômico que já nasce como ponto turístico relevante por alguns motivos. Primeiro, o prédio em si, de 1928, projeto do arquiteto Joseph Gire um lindo exemplar do Art-Déco, cuidadosamente reformado. Depois, são quatro diferentes operações dispostas no espaço, ampliando o leque de opções.
Em terceiro lugar, mas não menos importante, é preciso falar da vista que se tem da Baía de Guanabara de diversos pontos do complexo, dividido em três andares, com vários espaços diferentes.
Além do Belmonte, com seus chopes, salgados que circulam pelos salões em bandejas e um menu vasto, de petiscos e refeições, ocupa a área central, com o seu devido destaque. Também no térreo está o japonês Azumi, marca que foi comprada por Antônio Rodrigues, que ganha assim a sua primeira filial. O mesmo aconteceu com o italiano Il Piccolo, nascido em Ipanema (vizinho ao Belmonte), que agora chegou ainda mais perto do mar, praticamente debruçado sobre as águas da Guanabara. Nos três casos, os menus são basicamente os mesmo das outras unidades. Ao contrário do Acervo Gastrobar, conceito inédito desenvolvido pelo empresário, um bar moderno, com foco em drinques e programação cultural intensa, com música ao vivo e DJs, com ingresso cobrado (de R$ 12 a R$ 20). O menu tem coisas interessantes e originais, como o sanduíche de moela à moda japonesa, empanada e servida no brioche, com o tradicional molho tonkatsu, coleslaw de couve à mineira e maionese de nduja (embutido picante típico da Calábria e que anda em alta em todo o mundo com chefs de cozinha). E que tal uma quiabada? Trata-se de um babaganuj de quiabo, com quiabo tostado, tomates assados com alho frito e pimenta. São muitos os motivos para ir, e voltar, ao renovado Edifício Touring. O Rio merece. E agradece.










