AVENTURAS CARIOCAS: O RIO COM FRIO NA BARRIGA

O Rio é ainda mais lindo quando visto do alto

Caroline Rocha

Os cartões-postais do Rio são muito mais bonitos vistos de cima. Falo com propriedade (e recomendo) depois de saltar de parapente da Pedra Bonita, em São Conrado, em outubro.

Lá de cima, a cidade se arruma como numa maquete: a Pedra da Gávea de um lado, o mar aberto à frente e, lá embaixo, a faixa de areia de São Conrado, onde pousam todos os dias dezenas de instrutores e passageiros corajosos.

Num dia lindo de sol (dei sorte), fui uma dessas corajosas. O ponto de partida é a Pedra Bonita, com cerca de 500 metros de altura, no Parque Nacional da Tijuca. A rampa de decolagem fica a cerca de 10 minutos de carro da Avenida Prefeito Mendes de Morais, onde vários instrutores e empresas se concentram para captar os aventureiros.

A escolha entre asa-delta e parapente depende do nível de coragem de cada um. “O parapente, de uma maneira geral, é mais tranquilo, mais fácil de decolar, mais fácil de pousar”, explica o instrutor Eduardo, da Parapente.Rio. “Na asa-delta, a gente depende mais de você.”

No parapente, a instrução é curta: olhar para a frente e caminhar. Em poucos segundos, você já está no ar, a cerca de 35 km/h. O passageiro voa sentado, numa cadeira à frente do instrutor. Na asa-delta, é preciso correr até a beira da rampa, e o voo, cerca de 5 km/h mais rápido, é feito deitado, ao lado do instrutor.

No ar, o voo de parapente é bem estável

Por isso, a asa-delta exige um breve treino antes da decolagem, o momento mais delicado do voo. “Se você não correr da maneira certa, a gente vai treinar de novo, treinar de novo, até você fazer direito”, conta o instrutor.

Já no ar, o voo de parapente é bem estável e, para quem não tem medo de altura, muito tranquilo. A sensação é de olhar por uma janela panorâmica de avião. No meu voo, o instrutor arriscou algumas manobras sobre o mar, que garantiram um friozinho na barriga.

Na asa-delta, a emoção fica maior no início — quando a dupla pula de um deck — e no fim. “[O pouso] é uma das melhores áreas da asa-delta”, diz Eduardo. “Dá muita adrenalina ali, naquela . “Dá muita adrenalina ali, naquela situação da aproximação do pouso. É muito bacana.”

Para quem mora no Rio ou está de passagem pela cidade, o voo é uma experiência única — e rende boas fotos para as redes sociais. Nas duas modalidades, é possível fazer filmagens e fotos para registrar o passeio. E, na maioria das empresas, a filmagem já está incluída no preço, que gira em torno de R$ 1.000, em média.

Os voos duram em média 10 minutos e acontecem todos os dias, a depender apenas das condições do tempo. É recomendável usar tênis e óculos escuros.