FESTIVAL DAS MATRIARCAS COMEÇA A MANHÃ A SUA QUARTA EDIÇÃO, NO CENTRO DO RIO

O chef Diego Melão, apresenta a Lasanha na Lenha com Carne de Lata

Bruno Agostini

Uma das coisas mais fascinantes do mundo da gastronomia é observar a maneira como ingredientes e técnicas culinárias viajam de modo que com o passar de pouco tempo logo de tornam uma tradição no seu destino. Quem poderia negar o fato de que nhoque, macarronada e lasanha, por exemplo, fazem parte da cozinha brasileira?

Fazem, sim.

Justamente daquela mais afetiva e popular, caseira, simples e deliciosa, como que preparada por uma verdadeira Nonna. Melhor dizendo, por nossas grandes damas, por nossas matriarcas.

Essa história é boa, e quem conta é o comendador Raphael Vidal, agitador cultural do Centro, que nos últimos anos criou um grupo de bares e restaurantes com identidade própria, que são hoje fundamentais no processo de revitalização do Centro do Rio. São cinco casas, em três polos: Largo de São Francisco da Prainha; Largo de Santa Rita (o Beco das Sardinhas, ele mesmo, que em breve ganha o reforço do Fumeiro Santa Rita) e o Rua da Carioca (ou Rua da Cerveja, depois do projeto do ex-prefeito Eduardo Paes, que deu incentivos para instalação de fábricas da bebida ali).

“Em 1928, o alufá Zé Espinguela organizou o primeiro concurso de escolas de samba. A turma do Estácio, campeã da disputa, celebrou a vitória com uma bela macarronada. Tia Vicentina, Tia Doca, Alzira Moleque e Dona Iara, pastoras da Portela, também ficaram conhecidas por suas macarronadas. Comer macarrão, lasanha e nhoque preparados de formas tão únicas por matriarcas brasileiras está tão enraizado na nossa história e identidade que se tornou uma cultura nacional”, conta Raphael Vidal, idealizador do Festival das Matriarcas, que chega à sua quarta edição, no fim de semana do Dia das Mães: vai de amanhã, dia 9 de maio, até o fim do mês, terminando dia 31.

A verdade é que a massa italiana também se converteu em comida carioca de memória, afeto, samba e fundamento, consumida nas casas e nos botequins: a macarronada, afinal, é item fundamental na tradição do PF e das refeições do dia a dia do trabalhador, trazendo carboidratos e energia para aguentar a labuta.

Casa Porto: talharim com porpetas de pernil

No Largo da Prainha, a Casa Porto serve o clássico talharim com porpetas de pernil (R$ 35), feitas na casa pela chef Carina Paz. O Bafo da Prainha aposta no macarrão parafuso com rabada defumada no tambor de latão e agrião tostado na brasa (R$ 35). Já o chef João Diamante, do Dois de Fevereiro, preparou o nhoque de banana-da-terra com carne seca e curry afro-brasileiro (R$ 45).

No Largo de Santa Rita, o Capiau Botequim, do chef Diego Melão, apresenta a lasanha na lenha com carne de lata (R$ 49).

E, na Rua da Carioca, o chef Tchelo Barreto, da Choperia Cotovelo, traz o macarrão gravatinha com costela na cerveja preta tipo Stout, a Ossos da Búzios (R$ 45).

Um salva às matriarcas cariocas, grandes cozinheiras.