Bruno Agostini
No início da semana tive uma noite para lá de agradável no Arp Bar. Clima descontraído, junto a amigos numa mesa que tinha os chefs Pedro Benoliel, Danilo Parah e meu primo Thiago. Em grupo, pudemos passear por boa pate do menu, recém-lançado pelo chef gaúcho Camilo Vanazzi, que mais parece um garoto de Ipanema.
Outro dia, num evento no Nosso, um dos meus bares de drinque preferidos, com comido do mesmo (alto) nível, ficamos batendo papo, e ele contou um pouco de sua carreira.
Ele começou na cozinha de modo improvável, como taifeiro do exército, cuja função era fazer o rancho da tropa, ou seja, a comida dos soldados. Por incrível que pareça, assim se interessou pela coisa (com o João Diamante foi igual). De “rancheiro”, outro termo militar para esse função, ele foi estudar gastronomia em Santa Catarina. Depois, foi rodar pela Europa, passou por restaurantes estrelados, e fez mestrado em História e Cultura da Alimentação na Universidade François Rabelais de Tours, no Vale do Loire.
Com experiência acumulada em missões gastronômicas tão diversas, ele voltou ao Brasil e encarou novo desafio: conquistar o Rio de Janeiro.
Eu o conheci já num posto de relevo, como chef executivo do Emiliano. Tive grandes refeições em situações as mais variadas: almoço harmonizado com produtores de vinho, brunches, jantares da Lua Cheia, e outros. Sempre fui feliz, comecei a seguir e admirar o chef.

Antes mesmo do anúncio oficial de sua chegada ao hotel Arpoador, eu já sabia da notícia. Estava doido para visitar o restaurante, o que aconteceu na última segunda, numa noite realmente deliciosa pela comida e as pessoas à mesa, inclusive o chef, que sugeriu o menu, com três pedidos de minha parte:
“Eu quero o plateau de frutos do mar, o taco de camarão e as vieiras grelhadas”, eu disse.
“Ótimas escolhas, eu ia indicar esses pratos mesmo”, ele respondeu. “Estando aqui, diante do mar, a inspiração foi fácil: foquei nos pescados. Mas, sendo um restaurante de hotel, preciso ser democrático, e temos boas carnes também, além de sanduíches etc”, contou o chef, que aos poucos vai colocando sua assinatura também no café da manhã e nos diferentes menus que convivem ao ongo do dia.
O plateu evoca esse serviço muito comum na França (nos EUA) também, com distintos preparos servidos em um grande prato sobre gelo. Havia nele ostras, salmão gravlax, ceviche, tartar de atum com wakame, vinagrete de polvo, mexilhões marinados, camarões grelhados, lagosta, molho rosé e pão sourdough. Tudo o que preciso pra ser feliz.
Fiquei de tal modo ansioso pra moder o taco de camarão que fiz o favor de derrubar no meu primo o petisco… mas, salvamos o crustáceo, ao menos… e veio outro, que tratei de devorar sozinho, feliz com os sabores, e com o evidente toque de pimenta.
As vieiras grelhadas (R$120), servidas com manteiga de avelã, creme de pupunha, farofa de bacon e pão sourdough eu poderia comer todos os dias, de tanto que gostei. Tipo agora: salivei de lembrar ao escrever.
Nas entradas, teve trio de empanadas, que é resquício do menu antigo, e o tartare de atum com mandiopan. Croc croc croc eu sempre gosto em preparos do tipo. As fritas com aioli me fizeram verdadeiramente feliz.
Dividimos dois pratos principais, sugestões do chef: o carro-chefe do menu, que são os camarões e caviar, um preparo com espaguete com os crustáceos em bom tamanho, flambados no uísque e aptesentados com irresistível molho bisque; e um vistoso polvo com arroz negro, finalizado com bacon, aioli de limão, páprica e picles de beterraba. Senti a pimenta de novo, moderadamente. Ô, sorte!
Para encerrar, provamos um trio de doces, moderados no açúcar, bonitos, leves e saborosos. Havia um chocolate intenso e amendoim, opção vegana com chocolate 70%, praliné de amendoim, creme de chocolate e manteiga de castanha; a torta basca com calda e crocante de pistache; e o entremet de cupuaçu e cumaru, mousse de cumaru, gel de cupuaçu, bolo de coco, crocante de chocolate branco, cremoso de iogurte.
Fomos felizes, e sabíamos disso.
Saímos caminhando pela orla, pra deixar a noite ainda melhor.
Nem falei que jantamos ali, com o marulho a embalar a noite. Até esqueci desse importante “detalhe”. A comida e o bom papo falaram mais alto. A vista é só um tempero do Arp Bar. E que bom que é assim.
Jantar bom é assim: dá saudades e vontade de voltar. Vou chamar a filha pra ir comigo. Outro indício de que adorei.
SERVIÇO
Arp Bar: Hotel Arpoador. Rua Francisco Otaviano, 177 – Ipanema. Tel.: (21) 3600-4041. https://www.hotelarpoador.com/arp








